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20 de Fevereiro de 2020

Norueguês que matou 77 pessoas é aceito em universidade

Anders Behring: ele foi condenado a 21 anos de prisão após detonar uma bomba e atirar contra 69 pessoas.

Camila Vaz, Advogado
Publicado por Camila Vaz
há 5 anos

Condenado a 21 anos de prisão pelo pior massacre da Noruega desde a 2ª Guerra Mundial, o norueguês Anders Behring Breivik foi aceito na Universidade de Oslo.

Noruegus que matou 77 pessoas aceito em universidade

Behring vai estudar Ciência Política na instituição. Desde 2013 Behring cursa alguns módulos, mas agora irá estudar em tempo integral. O currículo do curso prevê disciplinas ligadas aos estudos da Democracia e dos Direitos Humanos.

Ele não vai ter nenhum contato com a equipe da instituição ou com os estudantes, pois vai fazer o curso a partir de sua cela. De acordo com uma nota divulgada pela Universidade de Oslo, ele não terá direito de participar de seminários com outros alunos e as regras da prisão impedem que ele tenha acesso ao ambiente de aprendizagem online.

Na nota, o reitor da universidade, Ole Petter Ottersen, admitiu que a instituição se deparou com "dilemas morais" em relação a admissão de sua candidatura, mas afirmou que o país reforça que todos os presidiários têm "direito ao ensino superior, desde que cumpram os requisitos de admissão".

"Nós temos alunos que estavam na cena onde ele cometeu assassinatos brutais. Nós temos estudantes que perderam amigos e familiares em 22 de julho. (...) Mantemos as nossas regras para o nosso próprio bem, não para o dele"

Behring foi condenado à prisão após detonar uma bomba em Oslo e abrir fogo contra 69 pessoas em Utoya. No total, 77 pessoas morreram no incidente, em julho de 2011. Na época, ele afirmou ter feito os ataques para "salvar a Noruega do multiculturalismo".


Fonte: EXAME

20 Comentários

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Um pouco chocada mas embora eu seja a favor da pena de morte para casos assim, considerando que não foi imposta essa pena, trabalhar e estudar é melhor do que ficar ocioso numa cela, sem fazer nada.

Não me conformo com a CF brasileira, que tem um dispositivo idiota que impede o detento de ser obrigado a trabalhar!!! Oi??? Como se recupera alguém sem obrigar a trabalhar e estudar?

Acho que estudo e trabalho deveria ser obrigatório, sim, no sistema penitenciário, sem redução da pena. A atual sistemática é ridícula. Quantos de nós - que não cometemos delitos - fomos obrigados em alguns momentos a acordar cedo e ir pra aula, por nossos pais, e hoje, estamos bem?

Sinceramente, tem dispositivos constitucionais e penais que tratam o detento como um bebê, pra mim, não dá. continuar lendo

Rebeca,

Como eu trabalho nesta área do direito Penal e vou sempre aos presídios e coisas do gênero, eu acho que existe um mito aí nesta questão de que o detento não quer trabalhar. O trabalho - e o estudo - serve como redução da pena, logo, todo detento quer sair da cadeia e trabalhar e estudar é o sonho de cada um. O problema dentro dos presídios superlotados é que acontece o mesmo aqui fora: muita procura e pouca oportunidade. Existe, e é grande demais, "desemprego" nas cadeias. Não tem vaga pra todos trabalharem, não.

E uma outra coisa: quando a lei fala que o detento não será obrigado a trabalhar, é que não haverá trabalhos forçados, no sentido de escravidão. Em nenhuma prisão do mundo, pelo menos num país democrático, existe trabalho forçado - o nosso Brasil não precisa ser diferente nisto, né?

E discordo quando você fala que o trabalho e o estudo deveria ser obrigatório, sem redução da pena. Mas se o trabalho e o estudo são parte do processo de ressocialização, porque não haveria redução da pena se o indivíduo está sendo ressocializado?

Um abraço. continuar lendo

Wagner, eu tb visitei presídios, em decorrência de trabalhar na Defensoria, na época.

quanto ao trabalho: salvo engano, o réu só entra em programas de trabalho e estudo se quiser, não?

Respondendo a pergunta: para mim, a ressocialização não anula o dever do réu de cumprir a pena - modo de pagar pelo delito. Sim, a pena tem um aspecto punitivo tb, além de outras funções. A punição não deve ser a única prioridade, mas ela não pode ser esquecida. Acho que precisa ser reformulada em alguns delitos - por exemplo, furto. É mais útil compelir o réu a pagar o valor do que foi roubado - seja em dinheiro ou prestando um serviço à vítima - do que encarcerando ele. Para outros crimes - homicídio, estupro - não consigo imaginar a redução da pena. Ela deve ser cumprida. Integralmente. É um dever. A ressocialização - trabalho e estudo - é mais um plus para ele não praticar aquilo novamente, mas se o fizer - terá a consciência que deverá cumprir a pena, integralmente. São coisas distintas, para mim. continuar lendo

Sim, ele só entra se ele quiser. Mas todos querem, mas não têm vaga. O cara fica implorando: oh, doutor, dá um jeito aí de colocar a gente pra trabalhar. continuar lendo

Achei muito interessante seu ponto de vista Wagner Francesco. É importante termos uma visão 360º. continuar lendo

Rebeca sugiro que leia a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, institui a Lei de Execução Penal. A CRFB fala que não haverá trabalhos forçados, porém para o preso condenado trabalhar e estudar é muito bom, pois ele não fica ocioso, pode auxiliar seus familiares e ainda ter uma boa formação enquanto recluso. O trabalho é um direito/dever do condenado. continuar lendo

Ana, eu conheço a LEP e acho errado o trabalho forçado não ser obrigatório, exatamente porque sei que é muito bom ao réu, para a sua edificação. Discordo que deve ser instrumento de redução da pena. Acho que a pena é uma obrigação do réu. Essa é uma crítica que eu tenho a LEP. Acho que a punição faz parte da ressocialização. O modo de punir, em certos crimes, como o excesso de prisão para delitos sem violência/grave ameaça etc., é que tenho minhas críticas.

Lado outro, eu acho uma pena- como bem pontuou o Wagner - que não haja uma política voltada ao trabalho do detento - mente ociosa, oficina do diabo. Seria até mais útil obrigar o trabalho e substituir a segregação por trabalho, em casos de furto, por exemplo. Assim, restituiria a vítima - que tb precisa ser restituída - e não ficaria preso por algo que pode ser compensado por trabalho.

Sei que é difícil imaginar um sistema prisional voltado para o emprego do réu, especialmente em tempos de desemprego como o nosso, mas acho necessário isso ser realmente levado a sério. Por isso, o trabalho deve ser obrigatório. Trabalho desumano é vedado, inclusive para trabalhadores comuns. Não me referia a autorizar trabalho desumano. E nunca disse que trabalho não era bom ao réu. Apenas não parto do pressuposto de que todos os réus querem trabalhar. Além disso, se obrigatório fosse, talvez fosse possível compelir o próprio Estado a arrumar uma vaga, não?

Mas respeito quem defende a não obrigatoriedade. continuar lendo

Rebeca Lemos, graças a Deus que temos pessoas sensatas como você. O Wagner Francesco diz que os detentos ficam implorando para trabalhar, mas não tem vaga pra todos, a Ana Cellesdesousakempen reforça lembrando a Lei nº 7.210, de 11 de julho de 1984, que institui a Lei de Execução Penal, a Suelen Ramos Chagas diz que é importante termos uma visão 360º, e eu troquei as lentes e tenho uma visão muito clara. Prisão é para cumprir pena afastado das pessoas de Bem, sem nenhum privilégio, apenas os direitos básicos, ou seja, apenas os que os trabalhadores tem. E trabalho para os detentos não vai faltar, vão ganhar seu salário mínimo e custear sua estadia, vão manter sua previdência paga e contribuir para o fundo de garantia como qualquer trabalhador, e o que sobrar ele guarda ou usa, já que ele não terá despesas com transportes, moradia, saúde, escola e alimentação, bem diferente do trabalhador honesto que não sobra nada do seu salário. Ficaram curiosos em saber como achei a solução do problema carcerário? Resposta: Se os detentos estão implorando para trabalhar, basta abrir frentes de trabalho nas minas do subsolo Brasileiro, o que não falta é minério para ser escavado. continuar lendo

Olá Rebeca tudo bem?
olha eles estudam sim direito penal, visto que para conhecer as leis para que não venham cometer atos ilícitos. Só não posso informar do numero de aulas, dias, sei também que são obrigados. continuar lendo

Rebeca, concordo com você.
A Constituição de 88 foi editada em uma péssima época, em que proliferavam as ideias utópicas e eram raras as preocupações com o mundo real.
Ser a Constituição composta de um "núcleo duro", ainda, agrava bastante a situação. continuar lendo

quero ver quem vai sentar de costas para ele. continuar lendo

Eu ri, e muito! HAHA continuar lendo

Não sabia que nós tínhamos algo em comum com a Noruega !!! continuar lendo

Tirou o escrito de minhas mãos. continuar lendo

Só 21 anos de detenção? continuar lendo

Só que lá não tem regressão de pena. 21 são 21 e não 7 como ca.
Mas concordo que deveria ter sido perpétua. continuar lendo