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24 de Maio de 2018

Violência contra a mulher não é entretenimento

Camila Vaz, Advogado
Publicado por Camila Vaz
ano passado

Texto de Leilane Menezes

Violncia contra a mulher no entretenimento

A pipoca está pronta e a família se aconchega no sofá. A diversão vai começar. Na tela, o personagem de José Mayer, o estereótipo do machão assediador, dá uma bofetada no rosto da mulher com quem se casou na ficção. Um dos olhos dela fica roxo.

Sem qualquer mal-estar, papai, mamãe e filhinhos acompanham a história. Uma outra personagem, também mulher, ri da cara da vilã que apanhou. “Tá de óculos por que, Magnólia?”, ela zomba.

A mensagem é clara: tudo bem bater em uma mulher, se ela merecer. Se ela for vilã, vadia, mimada, chata, traidora ou louca vamos, inclusive, vibrar quando a mão pesada masculina mirar seu rosto.

É um exercício diário de justificar o injustificável. Cena a cena, transforma-se a violência contra as mulheres em uma atrocidade palatável a qual vemos na TV, como se fosse um show de calouros ou programa de culinária.

Acabou a novela, é hora do BBB. Se o faz de conta não nos revolta, quem sabe a realidade faça esse papel? Errado. Na tela, um homem de 40 e poucos anos agride com palavras uma mulher de 20. Berra com ela, nariz com nariz, bota o dedo na cara da namorada, que, visivelmente acuada e silenciada, deita-se em posição fetal debaixo do cobertor.

Especialmente quando um dos lados é mais forte fisicamente, um dedo em riste significa muito. O rapaz mina a autoestima da companheira de confinamento. Diz que sua maior qualidade é “transar legal” e a destrata diariamente. Na base do grito, novamente, a oprime diante da audiência nacional, que, passiva, não se assombra com a gravidade da violência transmitida como um show bizarro.

Uma das participantes chega a dizer: “A Emilly tem que levantar o bracinho e mostrar aquele roxo embaixo do braço”, sugerindo a violência física.

As outras mulheres da casa temem pela própria segurança. Afinal, estão ali trancadas com um agressor. “Violência verbal também é violência”, lembra uma delas. E ela está correta: a Lei Maria da Penha prevê punição a quem comete violência psicológica e verbal.

A violência psicológica é definida no artigo , inciso II, da Lei Maria da Penha como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.

Essa não foi a primeira nem será a última vez em que assistimos um relacionamento abusivo ser romantizado em rede nacional.

Como bem lembrou Luana Piovani esta semana, dois meses depois de bater na atriz, Dado Dolabella ganhou o prêmio máximo de um reality show. A TV se transforma em espelho e reflete a imagem e semelhança de quem está do outro lado.

A promotora do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) Liz-Elainne Mendes chama a atenção para o fato de que canais de rádio e TV operam concessões públicas e por isso estão sujeitos à regulamentação e fiscalização.

“A mídia tem poder de reforçar o machismo e os estigmas aos quais as mulheres estão expostas. Quando a violência contra a mulher é mostrada sem nenhum contexto de conscientização, isso causa prejuízos sociais e comunitários. Há uma violência simbólica e ostensiva sendo praticada”, explica a promotora.

Para entender mais sobre a responsabilidade da mídia na espetacularização da violência contra a mulher, é possível assistir o documentário “Quem matou Eloá”, de Lívia Perez.

Em 2008, Lindemberg Alves, de 22 anos, invadiu o apartamento da ex-namorada, Eloá Pimentel, 15, armado, mantendo-a refém por cinco dias.

O crime foi amplamente transmitido pelos canais de TV. A apresentadora Sonia Abrão, inclusive, entrevistou o sequestrador ao vivo. “Quem matou Eloá?” traz uma análise crítica sobre a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o quinto no ranking de países que mais matam mulheres.

Fonte: Metropoles

63 Comentários

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Não assisto o big brother, só sei o q li acima e digo: não sabem os senhores que isso é outra novelinha e a q está se fazendo de 'acuadinha' e o 'agressor' são atores contratados, pq agora é moda falar da 'violência contra a pobre vítima incapaz mentalmente' pois é isso q querem convencer a todos q todas as mulheres são: inferiores, inúteis, incapazes e dependentes, ou de macho ou do papai Estado para defender de macho, pois, de acordo com a lenda, mulher não é um ser humano capaz de se autotuelar e escolher se quer macho agressor ou não? Faz parte da narrativa, q não é só nossa, para convencer a todos os incautos q mulher não escolhe o agressor por opção dela, fica 20 anos com ele, têm meia dúzia de filhos, por escolha e sim pq é forçada, pq é uma pobre coitada q não é capaz de trabalhar, se sustentar e viver sem homem e isso justifica todos os gastos com leis sexistas que protejam mais as mulheres q o resto da sociedade e dêem verbas que as sustentem e as proles, resumindo, onerando a sociedade. Ao invés de procurar acabar com o problema mostrando a essa mulher q ela é responsável pela própria vida, deve deixar o macho e trabalhar para se sustentar e sustentar a prole, como a maioria das famílias fazem. continuar lendo

Concordo plenamente com o seu ponto de vista, não temos que combater a violência contra a mulher, temos que combater a violência. continuar lendo

Parece que a política que tem sido desenvolvida no Brasil é a da operação tapa-buracos: então tem mulher q gosta de se juntar a bandido, se amasia, tem bastante filhos, apanha por anos e um dia resolve que o Estado tem q resolver a vida e ponto. E o Estado, se não puder, se não tiver estrutura, está errado, pq pobre dela q arrumou macho bandido e agora tá na enrascada. Operação tapa-buraco: vamos criar leis mais duras, porém tão ineficiente quanto as outras, para dar a ilusão de que sim, o Estado irá cuidar da mulher q não sabe escolher macho na vida. Não vai. Não tem como cuidar. Não existem recursos e não teria q ter recursos separados para resolver problemas de mulheres que não podem ficar sozinhas então se juntam com homens violentos. Caramba, a função do Estado em termos de segurança pública, é cuidar da segurança pública: policiamento, policia civil equipada para investigações, prisões, judiciário equipado para apurar e julgar crimes. Contra todos. Combate à violência e ponto. Violência de forma geral e não de forma específica. Agora não. As pessoas comemoram e ficam felizes com operações tapa-buracos ineficientes, q não resolverão os problemas, pq existem mulheres que continuarão escolhendo homens violentos, pois ng diz a elas q a RESPONSABILIDADE pela ESCOLHA é dela e q o q o Estado pode fazer, é se ela denunciar, processar e prender pelo crime de agressão, etc, mas q a vida dela e dos filhos, depende dela e do q ela fará: trabalhar para susentar-se e aos seus e não escolher mais macho bandido. continuar lendo

Infelizmente há a violência psicológica. Ela é terrível faz com que a pessoa fique alienada, refém do outro e de si próprio. continuar lendo

Muito infeliz o seu comentário... Vê-se que não tem o mínimo conhecimento do assunto, nem como jurista, nem como mulher. Enfim, lamentável. continuar lendo

Viram como as feminazis são hipócritas??? a Dra. Isa postou o seu argumento e o seu ponto de vista, o que aconteceu??? as mimizentas vieram ofender ela, diminuir sua opinião... tratá-la como se fosse uma mulher inferior, apenas pelo fato de ser INTELIGENTE o suficiente pra perceber que o movimento feminista é fantoche do esquerdismo... Fazem protesto seletivo... Jamais fazem protestos contra abusadores, se isso importar em prejudicar o partido que elas representam (Exemplo: Estupro coletivo que ocorreu em um acampamento do MST e foi acobertado... não houve mimimi nem protestos... Outro: Fazem protestos quebrando e vandalizando igrejas católicas, mas não tem coragem de protestar em frente à uma Mesquita contra os abusos sofridos pelas mulheres islâmicas... HIPÓCRITAS). Fizeram a campanha "mexeu com uma, mexeu com todas" mas não defenderam a jornalista Raquel Sheherezade quando um professor esquerdista disse que ela deveria ser estuprada... Não vi demonstrarem orgulho ou defenderem a Janaína Paschoal, ou QUALQUER outra mulher que não aceite o MI MI MI e as falácias deste movimento comunista bolivariano. continuar lendo

Tudo armado, não é acaso, a Rede Podre não da murro em ponta de faca. Tudo para jogar homens contra mulheres e vice versa, visando dividir a sociedade, "aqui tem educação": ha tá! continuar lendo

"Muito infeliz o seu comentário... Vê-se que não tem o mínimo conhecimento do assunto, nem como jurista, nem como mulher. Enfim, lamentável."

Quanta opressão em um único comentário, heim?! Quer dizer, a Sra. Isa Bel não pode pensar fora da caixinha feminista; ter um comentário diferente daquilo que é determinado pelo feminismo, que ela logo é taxada de "não ter conhecimento"?

É por essa e por outras que o feminismo encontra cada vez mais reação da sociedade (uma parcela muito significativa). Não querem igualdade de direitos e deveres entre homens e mulheres, e menos ainda liberdade feminina, mas sim dar o poder de domínio para alguns grupos de feministas, tornando mulheres e homens submissos aos seus caprichos! Estão fazendo o que tanto acusam no machismo... continuar lendo

Tenho cá minhas dúvidas, se isto não foi uma manipulação por audiência que tomou rumos inesperados, ou se foi uma manipulação pela simples audiência, já que sabemos que isto é um teatro, um programa com roteiros previamente combinados, como já desmascarado em outras edições.
Creio que a intenção era justamente trazer este viés feminista á baila, e assim, aumentar a renda do programa. continuar lendo

Agora fica a minha questão:
A agressão verbal, quando injustamente provocada, continua configurando agressão apenas de um dos lados? Pois até onde eu sei, muito foi provocado.
Exemplo? Ele negar sexo e ela atingir o psicológico dele, falando que ele provavelmente está negando pois está "apaixonado por um homem", tentando atingir seu ego para de certa forma o "forçar" a ter sexo com ela.
"Agressão" física só se torna problema quando acontece com um dos lados? Porque eu lembro nitidamente de um chute no baço, de arranhões e outras coisas. Ah, mas ai é o homem apanhando, então é frouxidão dele, né? continuar lendo

Exato Daniel!

Falou tudo. Mulher pode tudo, homem, coitado, tem que apanhar e fingir que tá tudo bem.
Pq se reclamar é frouxo, se se defender é agressor covarde.

Tá complicado... continuar lendo

Falou tudo mesmo, concordo, na hora de se beneficiar tem direitos iguais a todos, mas na hora de se beneficiar como "mulher" ai pode aprontar, injuriar e ninguém pode fazer nada, achando que todas são rainhas, intocáveis, somente ela pode xingar, falar e fazer escândalo continuar lendo

Eu nem sei o que aconteceu em BBB, faz 5 anos que não assisto televisão, mas é engraçado que a autora não comentou do ator e militante petista José de Abreu que cuspiu em uma mulher, e ofendeu publicamente a jornalista Raquel Shereazade a colega Suzana Vieira e a mulher do prefeito de São Paulo.

"artigo , inciso II, da Lei Maria da Penha como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima". Subjetivo não? cada pessoa tem uma visão diferente sobre conduta que cause dano emocional, a novela mostra o que as pessoas querem ver: Vilão se dando mal, beijo gay, gente bonita se esfregando, triste mas é nossa realidade.

"A promotora do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) Liz-Elainne Mendes chama a atenção para o fato de que canais de rádio e TV operam concessões públicas e por isso estão sujeitos à regulamentação e fiscalização." Hum, então a censura e perseguição a meios de comunicação é valida, desde atendam a determinadas politicas? perigoso isso. continuar lendo

Pablo, em momento algum o texto dela usa de tom politico ou ideologia partidária. Esse seu "questionamento" não tem base alguma! além de ser meio "esquizofrênico" continuar lendo

Perfeito Pablo... já despertou a fúria das FANTOCHES do esquerdismo.

São HIPÓCRITAS e fazem o famoso protesto seletivo... jamais protestam contra agressores vinculados ao esquerdismo... Nos USA uma repórter MULHER levou um soco de um HOMEM que estava com as feminazis, e o que aconteceu??? as feminazis acobertaram ele... ou seja... aceitaram um soco na cara de uma repórter, pois quem deu o soco era do grupinho de fantoches mimimi. continuar lendo

Falou tudo Pablo!! continuar lendo

Por algum motivo que não sei explicar, recebo notificações de resposta a meu comentário mas não visualizo, por amor ao debate quem quiser me envie uma mensagem privada para trocarmos ideias. continuar lendo

Pablo, comigo também está acontecendo este problema. continuar lendo